Dr. Élder Zago — Cardiologista clínico e intervencionista
Sintomas

Sintomas de infarto: como reconhecer os sinais de alerta e agir rápido

30 de junho de 2026·5 min
Sintomas de infarto: como reconhecer os sinais de alerta e agir rápido
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Dor ou aperto no peito que dura mais de alguns minutos pode ser infarto. Saiba reconhecer os sinais de alerta e por que ligar 192 pode salvar vidas.

O que é um infarto e quais são os principais sinais de alerta?

O infarto (ataque cardíaco) acontece quando o fluxo de sangue para uma parte do músculo do coração é bloqueado, geralmente por um coágulo sobre uma placa de gordura nas artérias coronárias. O sinal de alerta mais comum é um desconforto no centro do peito — descrito como pressão, aperto, sensação de plenitude, peso ou dor — que pode durar mais de alguns minutos ou ir embora e voltar. As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte no Brasil: segundo a Biblioteca Virtual em Saúde, do Ministério da Saúde, cerca de 400 mil pessoas morreram por problemas cardiovasculares no Brasil em 2022, o que representa aproximadamente 30% de todos os óbitos no país. Para se ter ideia da frequência, nos Estados Unidos, segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), alguém tem um infarto a cada 40 segundos. Sou o Dr. Élder Zago, médico cardiologista — CRM-SP 163971 · RQE 95171, e, na prática clínica, oriento que reconhecer esse desconforto torácico cedo e procurar ajuda imediatamente está associado a melhores desfechos, segundo as diretrizes da SBC.

Para onde a dor do infarto pode irradiar e que outros sintomas observar?

A dor do infarto pode irradiar (espalhar-se) para um ou ambos os braços, as costas, o pescoço, a mandíbula ou o estômago, e nem sempre fica restrita ao peito. Segundo a American Heart Association (AHA), além da dor, sinais de alerta importantes incluem falta de ar — que pode ocorrer com ou sem dor no peito —, suor frio, náusea, tontura ou sensação de desmaio, fadiga incomum e batimentos cardíacos rápidos ou irregulares. Segundo a diretriz da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), a dor torácica típica da síndrome coronariana aguda é prolongada (geralmente acima de 20 minutos), de forte intensidade e caráter opressivo (aperto, queimação ou peso), podendo vir acompanhada de náusea, vômito, sudorese e falta de ar. A própria diretriz reconhece os chamados equivalentes anginosos — falta de ar, sintomas digestivos, palpitações e desmaio (síncope) — como motivos que justificam transporte imediato em ambulância monitorizada.

Os sintomas de infarto são diferentes nas mulheres?

Nas mulheres, a dor ou o desconforto no peito também é o sintoma mais comum, mas há maior chance de manifestações atípicas. Segundo a American Heart Association (AHA), entre elas estão falta de ar, náusea ou vômito, mal-estar gástrico, dor no ombro, nas costas ou na mandíbula, ansiedade e um cansaço ou fraqueza fora do comum. Ainda de acordo com a AHA, muitas mulheres atribuem erroneamente esses sinais a refluxo, gripe ou ao envelhecimento, e isso atrasa o atendimento — justamente quando cada minuto conta. Na minha prática clínica, recomendo que mulheres com fatores de risco (hipertensão, diabetes, colesterol alto, tabagismo ou histórico familiar) levem a sério qualquer desses sintomas, mesmo sem a dor clássica no peito.

O que é o infarto silencioso e quem corre mais risco?

O infarto silencioso é aquele que ocorre com sintomas mínimos, não reconhecidos ou até ausentes, e é mais comum do que se imagina: segundo o CDC, cerca de 1 em cada 5 infartos é silencioso. Ainda de acordo com o CDC, nos Estados Unidos, dos aproximadamente 805 mil infartos por ano, estima-se que cerca de 161 mil (em torno de 20%, ou seja, 1 em cada 5) sejam silenciosos. Por cursar com poucos sintomas, costuma ser sub-reconhecido e diagnosticado tardiamente: segundo a American Heart Association (AHA), é frequentemente despercebido tanto por pacientes quanto por profissionais de saúde. A frequência por sexo varia entre os estudos — no estudo de coorte ARIC (Atherosclerosis Risk in Communities), a incidência foi maior em homens, embora o aumento de mortalidade associado tenha sido maior em mulheres. As pessoas com diabetes merecem atenção especial, pois a neuropatia (lesão dos nervos) pode mascarar a dor que normalmente acompanha o infarto: no estudo de Acharya T. e colaboradores (The American Journal of Medicine, 2013), que utilizou cintilografia de perfusão miocárdica (SPECT), o infarto silencioso teve prevalência em torno de 23% a 26% dos pacientes investigados, chegando a cerca de 35,8% entre pessoas com diabetes contra cerca de 24% entre não diabéticos — o que torna o diabetes um preditor independente. E ele não é inofensivo: dados do estudo ARIC indicam que o infarto silencioso está associado a maior risco de insuficiência cardíaca e que, em acompanhamento de cerca de 10 anos, sua mortalidade foi semelhante à do infarto reconhecido. Por isso, recomenda-se acompanhamento cardiológico regular em pessoas com diabetes, pelo maior risco de infarto silencioso.

Por que o frio está associado a maior risco de infarto?

O inverno associa-se a maior risco cardiovascular, sobretudo em quem já tem doença do coração. Com a queda da temperatura, o corpo contrai os vasos sanguíneos para conservar calor, o que eleva a pressão arterial e a sobrecarga sobre o coração. Estudos populacionais observam um padrão sazonal, com mais infartos nos meses mais frios do que nas estações quentes — segundo dados do Instituto Nacional de Cardiologia divulgados pelo Hospital Alemão Oswaldo Cruz, o risco de infarto pode aumentar em até 30% no inverno. Dois grandes registros europeus quantificaram a relação com a temperatura: o projeto Lille-WHO MONICA, na França (publicado na revista Circulation em 1999), observou aumento de cerca de 13% nos eventos coronarianos a cada queda de 10°C na temperatura, e o registro MONICA/KORA de Augsburg, na Alemanha (Circulation, 2009) descreveu associação semelhante entre a queda da temperatura e o aumento dos eventos coronarianos. Uma revisão sistemática e meta-análise (publicada em Environmental Pollution, 2018) confirma o achado: a exposição ao frio se associa a maior risco de infarto agudo do miocárdio por mecanismos como a vasoconstrição periférica e o aumento da pós-carga do coração, sobretudo em quem já tem doença cardiovascular. Nos Estados Unidos, segundo o CDC, cerca de metade dos adultos apresenta ao menos um dos três principais fatores de risco — pressão alta, colesterol alto ou tabagismo —, então proteger-se do frio e manter o tratamento em dia faz diferença real.

Quando chamar o SAMU 192 e por que agir rápido pode salvar vidas?

Ligue para o SAMU 192 imediatamente diante de dor no peito de aparecimento súbito ou de qualquer suspeita de infarto ou AVC — segundo o Ministério da Saúde, o SAMU é um serviço gratuito do SUS, disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana. Agir rápido pode salvar vidas e aumentar as chances de sobrevivência porque minutos importam: de acordo com as diretrizes da SBC, quanto mais tempo o coração fica sem fluxo de sangue, maior o dano ao músculo cardíaco, e chamar o serviço de emergência é quase sempre a forma mais rápida de obter o tratamento que restaura esse fluxo. Perguntas frequentes que ouço no consultório: a dor passou, ainda preciso ir ao hospital? Sim, porque a dor do infarto pode ir e voltar. Posso dirigir até o pronto-socorro? Prefira a ambulância, que inicia o atendimento monitorizado já no caminho. E se eu não tiver certeza? Diante de sintomas de alerta, é mais seguro ligar 192 e ser avaliado do que esperar para ver.

Aviso importante: quando buscar avaliação individual

Este conteúdo tem caráter informativo e educativo e não substitui a consulta médica individual. Cada pessoa tem uma combinação própria de fatores de risco, e somente uma avaliação clínica — com exames como eletrocardiograma, dosagem de marcadores e, quando indicado, ressonância magnética cardíaca — permite um diagnóstico preciso. Se você tem hipertensão, diabetes, colesterol alto, é fumante ou tem histórico familiar de doença do coração, procure uma avaliação cardiológica para conhecer seu risco e seu plano de prevenção. E, diante de sintomas de alerta, não espere: ligue 192.

Dr. Élder Zago
Dr. Élder Zago
Médico Cardiologista · CRM 163971 · RQE 95171

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